Debate destaca obra que reconstrói laços entre Bandeira, Nise da Silveira e Ribeiro Couto
Centro Cultural do Poder Judiciário promoveu encontro com a escritora Elvia Bezerra
Em uma única rua, três nomes da cultura e da memória do Rio de Janeiro eram vizinhos. Sabe quem são? Nos anos 1920, o grande poeta Manuel Bandeira, a psiquiatra Nise da Silveira e o poeta Ribeiro Couto moravam no mesmo bairro do Rio de Janeiro. Após saber dessa coincidência, a jornalista e escritora Elvia Bezerra decidiu estudar e se aprofundar na vida de Bandeira e escreveu o livro A Trinca do Curvelo – os afetos de Manuel Bandeira.
Para debater e apresentar a obra, o Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) promoveu, nesta terça-feira, 28 de abril, um encontro com a escritora no Espaço Cultura na Justiça, no Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.
O livro parte de uma crônica do poeta para retratar uma turma de garotos em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. No bairro, três grandes personalidades se encontraram na primeira metade do século XX: Manuel Bandeira, que morava na casa nº 51 da Rua do Curvelo; a psiquiatra Nise da Silveira, residente em frente ao poeta; e o também poeta Ribeiro Couto, que vivia na mesma rua, na pensão de Dona Sara.
Elvia revelou a década de 1920 como essencial para o período de criação de Manuel Bandeira — foi justamente nessa época que o poeta escreveu um dos poemas mais famosos do modernismo, Vou-me embora pra Pasárgada.
"O objeto principal da pesquisa é a década de 1920, que foi o período essencialmente fértil para Manuel Bandeira. Foi justamente nessa década que ele recuperou a vida”, afirmou.
Livro A Trinca do Curvelo – os afetos de Manuel Bandeira
Ao comentar o livro, publicado originalmente em 1995, Elvia revelou que o contato com Nise da Silveira serviu de impulso para o relançamento da obra, agora ampliada e revista, e refletiu sobre a relevância da psiquiatra em sua própria trajetória. "Nise da Silveira me passou grandes lições. Para ela, o trabalho não era um peso; era também uma fonte de prazer".
A autora acrescentou ainda que o livro evidencia as conexões entre os três personagens. Bandeira e Couto eram amigos íntimos, mas Bandeira e Nise eram apenas vizinhos solidários. Manuel Bandeira já até tinha deixado a psiquiatra utilizar o telefone de sua casa.
A programação incluiu também a exibição do curta-metragem O Poeta do Castelo, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Elvia ressaltou o cotidiano simples de Manuel Bandeira: o filme mostra a rotina do poeta nos anos 1950, quando vivia no Centro da Cidade e circulava tranquilamente pela Cidade Maravilhosa.
A apresentação foi conduzida pelo chefe do Serviço Educativo do CCPJ, Wanderlei Barreiro Lemos.
VS/ SF
Fotos: Rafael Oliveira/ TJRJ